Mães que tiveram depressão pós-parto podem ter outro filho?

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Escola da Parentalidade

A depressão pós-parto é um adoecimento psíquico que exige tratamento, e pode prejudicar a qualidade de vida da mãe e o desenvolvimento do bebê. Será que a consequência pode se alastrar para o futuro da família? Você acha que mães que tiveram depressão pós-parto podem ter outro filho?

Dados sobre a depressão pós-parto

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Antes de responder a pergunta do título, explanaremos as estatísticas sobre a depressão pós-parto, e a seguir, sobre as características da doença. Ao final, faremos esclarecimentos sobre os possíveis riscos ao se engravidar novamente. Primeiramente, é hora de mencionarmos as estatísticas. Apesar de apenas, aproximadamente, 20% das mulheres terem depressão pós-parto, a porcentagem representa em torno de dois milhões de casos por ano.

A depressão, geralmente, não é diagnosticada imediatamente, embora precise de acompanhamento para a avaliação da evolução dos sinais, porque logo após o nascimento é comum que os hormônios afetem o sistema nervoso central, e as emoções ficam extremamente alteradas. Costuma ser baby blues puerperal quando alegria e tristeza se alternam, e neste caso, a melancolia leve geralmente diminui de cinco a quinze dias.

Contudo, se passar de vinte dias e não houver melhora, pode ser depressão, especialmente se a mulher apresentar desinteresse em realizar atividades. Sendo assim, é um adoecimento que necessita de intervenção, e provavelmente, de medicamentos.

Se não for tratado o quadro de depressão pós-parto, a situação pode se agravar e se tornar crônica. Assim, pode-se ter prejuízo da capacidade de raciocínio e desempenho de funções. Precisamos ressaltar aqui que, em geral, o bebê não sofre risco de morte ao conviver com uma mãe depressiva, condição relacionada à psicose puerperal, outro adoecimento psíquico. Este, felizmente, é bem raro (um caso a cada cem mil), e mesmo assim a chance de ferir a criança é pequena.

Na DPP, a criança sofre pelo desinteresse da mãe em cuidá-lo, em realizar amamentação, estímulos emocionais e brincadeiras. Essa desmotivação pode tornar o filho com desenvolvimento neuropsicomotor mais lento, prejudicando sua fala e locomoção, que podem ocorrer de forma mais lenta do que as outras crianças.

As chances de ter depressão pós-parto em segunda gestação

Após receber algumas informações, caso você não tenha muito conhecimento sobre a doença, é hora de responder a pergunta do título. Apesar de não haver uma proibição para engravidar novamente, a mulher que passou por uma depressão pós-parto tem 50% de chances de ter o adoecimento psíquico na gestação seguinte. Ou seja, as chances de ter e não ter são iguais. Mas você, como profissional da parentalidade, pode reverter a situação e diminuir as chances de ocorrência, indicando à gestante o pré-natal psicológico, por exemplo, e um acompanhamento mais próximo e humaizado, além, claro, de interdisciplinar.

A terapia é indicada para todas as gestantes, mas especialmente para aquelas que têm histórico de adoecimento psíquico, então não é recomendável confiar na metade das chances de não ter depressão pós-parto. Afinal, é preciso pensar que 50% é uma porcentagem muito alta, e que a possibilidade de recorrência é grande. É indicado pensar no copo meio vazio.

Pré-natal psicológico é importante imprescindível

Se na primeira gestação a mulher não realizou sessões de pré-natal psicológico, agora é muito recomendável que ela faça. Se fez, é indicado que realize novamente. Isto porque a prevenção é fundamental, e já sendo mãe, a mulher acumulou experiência de gestação e pós-parto.

Como você provavelmente sabe, as sessões de pré-natal psicológico não previnem a depressão pós-parto e os outros adoecimentos psíquicos, mas elas diminuem suas chances de ocorrência. Sendo assim, os 50% de chances de ter o transtorno diminuem, e o preparo contribui para que a mulher tenha um pós-parto mais tranquilo.

Além das sessões de pré-natal psicológico, recomenda-se que a gestante tenha suporte dos amigos e familiares, para que se sinta em um ambiente acolhedor e seguro. Quanto mais esclarecimento e amparo, menos as chances de ocorrência e recorrência. O acompanhamento interdiciplinar com doula, obstetra, educador físico, nutricionista, psicólogo e, se necessário, psiquiatra pode trazer bons resultados, a fim de prevenir ou tratar no início os sintomas do sofrimento psíquico.

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